A arte marcial como território de afeto e potencialidade à vida

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Rebeca Motta

“Nem a chuva pingando no tatame impede os treinos”. A legenda faz parte de uma das fotos vencedoras do Concurso Cultural Pense Grande Sua Quebrada, realizado pelos coletivos de comunicação Alma Preta, Historiorama, Periferia em Movimento, Agência Mural e Desenrolar e Não Me Enrola, em parceria com o programa Pense Grande da Fundação Telefônica.

Fomos conhecer a história do Karatê Punho do Tigre que mantêm há 3 anos o projeto Karatê D’Quebrada. A iniciativa oferece, gratuitamente, desenvolvimento pessoal e profissional através do esporte para meninos e meninas do Jardim Macedônia, periferia da zona sul de São Paulo.

 

O projeto nasceu a partir da necessidade pessoal do sensei Diogo Tadeu em praticar o autocuidado,pouco mais de seis anos atrás. Uma das principais filosofias dessa arte marcial é a busca pelo equilíbrio, e foi no tatame que Diogo encontrou forças para combater uma depressão pela qual passava.”O karatê me protegeu de ir por um caminho errado. Me ajudou a vencer a minha depressão e me mantém de pé até hoje. Minha motivação é o amor. Eu faço porque amo o que faço”, explica o criador do projeto.

 

COMO TUDO NASCEU
 

A garagem da casa de Diogo foi o cenário das primeiras aulas, mas em pouco tempo o espaço ficou pequeno para comportar a quantidade de alunos que desejavam conhecer aquele novo estilo de luta no bairro. Rapidamente, as aulas passaram a acontecer nas quadras de futebol do Jardim Macedônia, mas a falta de estrutura adequada começou a atrapalhar a qualidade dos treinamentos.

 

Além disso, a violência e as drogas sempre estiveram presentes nos entornos da quadra e por esse motivo foi fundamental uma força tarefa de divulgação para que mais crianças, adolescente e jovens aderissem às aulas do sensei.

 

Hoje, as aulas do Karate D’Quebrada acontecem no CEU Canto do Amanhecer, também na zona sul e já trabalha com 50 pessoas, entre crianças e adultos. O projeto conta com apoio pedagógico e tem experimentado ações de captação de recursos para que os atletas não deixem os treinos por falta de material esportivo, por exemplo.

 

Liandra Ferreira é mãe de Michel, 12 anos. Para ela, o esporte foi uma forma de resgate da infância do filho que antes ficava trancado no quarto, apenas na frente do computador. “Agora ele brinca, se diverte e ama vir ao treino. A mudança que aconteceu nele foi muito grande”, aponta.

Para Jessica Leôncio, pedagoga do projeto, isso acontece porque o treino ajuda a desenvolver habilidades interpessoais, para além da própria prática esportiva. “Quando o atleta está no tatame tem várias pessoas olhando pra ele e é preciso manter o foco no trabalho para vencer”, aponta.


 

O PODER DO ESPORTE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


“Quando eu fiquei sabendo do concurso cultural eu quis muito que todo mundo conhecesse o Karatê D’Quebrada. Apesar de ser um projeto de bairro, as aulas são tão boas como em uma academia paga”, explica Jacilaine de Jesus, 16, que fez a foto premiada no concurso. . “Eu era bem estressada e agressiva e aqui eu aprendo a controlar isso. Aqui é meu ponto de equilíbrio, de paz, tranquilidade”. 


Jacilaine explica que “existiam outros projetos na quebrada, mas pra mim era raro encontrar um esporte como a arte marcial na periferia e que também fosse de graça”, revelou. “Eu via a capoeira, mas não tenho muita vocação. Eu sempre assisti filmes de Karatê e gostava bastante. Poder participar do projeto é incrível”, conta a adolescente.

 

Franciele Meirelles é coordenadora social e encontrou no esporte um meio de contribuir com o bairro onde mora. “O esporte faz isso. Ele tira o que tem de pior e te dá caminhos para que você melhore e potencialize o que já existe de bom”, explica, complementada por Diogo: “Hoje eu trabalho com crianças que sofrem com depressão, que tem traumas, tem problemas familiares, que são inseguros e não acreditam no potencial que tem. A ideia é mudar isso. Mostrar que com o caratê, que com o esporte aliado a educação, é possível ir além”.

 

“O maior blefe da vida é fazer com que essas crianças acreditem que porque vieram de bairros empobrecidos não são capazes. Meu intuito como profissional e como pessoa é forjar bons cidadãos e bons atletas”, conclui o criador do projeto.

#PenseGrandeSuaQuebrada é um esforço coletivo do Programa Pense Grande, iniciativa da Fundação Telefônica Brasil, em parceria com o Alma Preta, Desenrola E Não Me Enrola, Periferia em Movimento, a Agência Mural de Jornalismo das Periferias e a Historiorama com o objetivo de democratizar a linguagem e o acesso das juventudes periféricas ao ecossistema de #EmpreendedorismoSocial #JuventudePeriferia #juventudes #juventudeperiféri

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